Mudanças climáticas e saúde: El Niño acende alerta para os riscos à população brasileira
Por: Thayssa de Jesus
Com a previsão de calor intenso, estiagens e chuvas acima da média em diferentes regiões do país, estudantes de Enfermagem reforçam a importância da prevenção e dos cuidados com a população diante das crises climáticas

As mudanças climáticas têm se tornado uma preocupação crescente para a saúde pública. Ondas de calor, enchentes, períodos de seca e queimadas não provocam apenas danos ambientais e materiais, mas também aumentam os riscos de doenças e comprometem a qualidade de vida da população. Diante desse cenário, o fenômeno El Niño, com previsão de intensificação entre o final de 2026 e o início de 2027, coloca as autoridades em estado de atenção.
O El Niño acontece quando as águas superficiais do Oceano Pacífico Equatorial ficam mais quentes do que o normal, provocando alterações na circulação atmosférica e nos padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo. No Brasil, seus efeitos podem variar conforme a região, favorecendo períodos de estiagem, queimadas, temperaturas elevadas e episódios de chuvas intensas.
Os reflexos dessas alterações vão além do meio ambiente. Durante períodos de calor extremo, aumentam os riscos de desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias. Já em situações de enchentes, a população fica exposta à contaminação da água e a doenças como leptospirose e infecções gastrointestinais.
A relação entre as mudanças climáticas e a saúde exige atenção, principalmente diante dos acontecimentos recentes. Enchentes, temperaturas elevadas e períodos prolongados de seca demonstram como os fenômenos ambientais podem afetar diretamente a rotina e o bem-estar da população.
Nesse contexto, Bruna Mayworm, estudante do 4º período de Enfermagem, explica que os impactos variam de acordo com as condições climáticas.
“O calor excessivo pode causar desidratação, queda de pressão e insolação. Já as chuvas e enchentes aumentam o risco de doenças como leptospirose e infecções causadas pela água contaminada”, destaca a estudante.
A preocupação também envolve os grupos mais vulneráveis, como crianças, idosos, gestantes e pessoas com doenças crônicas, que precisam de atenção redobrada durante situações de emergência climática.
Diante dos riscos, a enfermagem desempenha um papel importante na conscientização e na orientação da população. A atuação dos profissionais não se limita ao atendimento de pessoas doentes, mas também envolve ações educativas que ajudam a evitar complicações.
Para Bruna Mayworm, medidas simples podem fazer diferença na prevenção de doenças.
“A enfermagem pode orientar sobre hidratação, higiene, alimentação e cuidados para evitar o contato com água contaminada. A informação é muito importante para prevenir doenças”, afirma.
Além disso, durante emergências climáticas, os profissionais precisam estar preparados para identificar situações de maior gravidade, organizar os atendimentos e prestar assistência às pessoas afetadas.
Segundo a estudante, os profissionais devem identificar os casos mais graves, prestar assistência e orientar a população sobre os cuidados necessários. O trabalho em equipe também é fundamental para garantir um atendimento adequado diante do aumento da demanda nos serviços de saúde.
Com a possibilidade de intensificação do El Niño, a preparação da população se torna ainda mais necessária. O fenômeno pode contribuir para alterações significativas nos padrões climáticos brasileiros, aumentando a preocupação com os efeitos dessas condições sobre a saúde pública.
Nesse cenário, a educação em saúde é uma das principais ferramentas de prevenção. Informar a população sobre os riscos, os sintomas e as medidas de proteção permite que as pessoas estejam mais preparadas para enfrentar situações adversas.
Bruna também ressalta a importância da conscientização para diminuir os impactos desses acontecimentos.
“A educação em saúde ajuda as pessoas a entender os riscos, reconhecer possíveis sintomas e adotar medidas de prevenção. Assim, conseguimos evitar problemas maiores de saúde”, ressalta a estudante do 4º período de Enfermagem.

Embora fenômenos como o El Niño sejam naturais, seus efeitos podem representar riscos significativos quando associados à vulnerabilidade social, à falta de saneamento básico e à dificuldade de acesso aos serviços de saúde.
Diante disso, acompanhar os alertas meteorológicos, seguir as orientações da Defesa Civil e reconhecer os sinais de problemas de saúde são atitudes fundamentais para reduzir os impactos das crises climáticas.
Mais do que enfrentar as consequências dos desastres, é necessário investir em prevenção, educação em saúde e preparação dos serviços públicos. Afinal, cuidar da saúde também significa estar preparado para as transformações do clima.





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